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Ser nas redes hashtags de Deus

 Nossos avós, ou até nossos pais, podem já nos ter perguntado: “Porque esse monte de jogo da velha em tudo que você escreve menino?”. Para um músico mais tradicional – desconectado, “off line” – nos diria que, no tempo dele, isso aí era um sustenido.

O hashtag surgiu com o twitter como uma forma de encontrar em um amontoado de pequenos textos de 140 caracteres informações que se ligavam ou ainda o que estava mais se falando. Por exemplo, se queremos encontrar todos os usuários que escreveram algo sobre o amor basta pesquisar o hashtag#amor e serão apresentadas uma lista de twittes nos quais as pessoas falaram sobre isso, desde amor a Deus, relacionamentos, amor aos filhos e assim vai.

Há também o uso do hashtag com expressões, algumas que já se firmaram e outras que são criadas a cada dia. Por exemplo, se procuramos dicas diversas, não devemos procurar por #dica ou #váriasdicas #medáumadica, mas é comum ao final de uma dica a hashtag #FicaaDica ou #Ficadika.

Para medir o assunto mais falado agora no twitter basta conferir os TTs (Trend Topics), ou seja, as hashtags mais usadas agora. Podem ser eventos, assuntos, pessoas etc.

Do neologismo à tradução: hash∙tag

Hashtag é um neologismo proveniente da língua inglesa composto pelas palavras hash e tag. Vejamos o que significa cada uma delas.

Tag traduzindo significa, literalmente: etiqueta, rótulo. Diríamos que é um identificador, um marcador. Foi usado amplamente em sites na web como “palavra-chave”, hoje é muito usado em blogs que, para facilitar a localização de conteúdos, apresentam “nuvem de tags”.

Hash significa, hum… e agora? Não tem tradução ao pé da letra. Em alguns dicionários hash é isso: #. Na matemática computacional, a função hash serviria para facilitar a busca por valores, mas isso não nos importa agora. Vamos ficar então com facilitador (melhor do que traduzir por jogo da velha – lol). Entendemos entãohashtag como uma etiqueta que facilita encontrar as coisas mais importantes.

hashtags de Deus

Depois de tanta explicação, onde é que queremos chegar? Aqui: devemos ser, nas redes sociais, hashtags de Deus. Gostou né? Qual o nosso papel nas redes sociais senão, em meio a um turbilhão de mensagens, vídeos e fotos, sermos uma espécie de hashtag para as pessoas encontrarem o que realmente é importante?

É interessante comparar com o que são os santos para nós. Quando vemos a vida de um santo, não somente nos enchemos de admiração, mas tomamos suas atitudes principais como ensinamentos importantes para nós e setas que nos apontam o céu. Na vida de cada santo poderíamos enumerar as hastags. São Francisco, por exemplo #pobreza #amoraDeus #caridade. Na vida de Santa Teresa de Jesus #oração #determinadaDeterminação. Na vida de Santa Teresinha #pequenez. Em todos, #Deus está presente, pois é claro quando os vemos, vemos na verdade Deus.

E como fazer isso?

Pensamos que evangelizar no continente digital é encher a nossa página de versículos bíblicos. Mas eu pergunto: Que hashtags estamos comunicando, ou testemunhando quando fazemos isso? Quando olharem para nós, da mesma forma como olhamos para São Francisco a pouco, qual será a hashtag que nos darão?

Mais importante que colocar versículos bíblicos (apesar de também serem importantes) é testemunhar a sua vida, que deve sempre transparecer Deus. Quando me refiro à vida, refiro-me também as coisas fortes que Deus fala na oração, o grupo de oração, passagens bíblicas que para você são fortes, mas também as outras coisas: comer uma pizza com os amigos, jogar vôlei, surfar, ajudar a lavar as louças, namorar, ir para a faculdade, conviver com sua família etc. Em tudo deve transparecer a beleza de Cristo e isso deve ser anunciado sobre os tetos.

Não devemos ter medo de mostrar aquilo de precioso que temos na vida. A esperança precisa ser renovada nas pessoas quando nos virem. Enquanto tanta coisa destrói a família, nosso papel não é o de ir contra as pessoas que a destroem, ao contrário, em favor delas, testemunhar que a família ainda é possível dando o testemunho. Nesse caso, uma foto com sua família, irmãos e filhos, vale mais que muitos discursos moralistas. Cuidado para não expor demais a sua vida pessoal. Na rede convém o testemunho que não elimina o bom senso e a discrição.#FicaaDica

A regra é: Isso é realmente importante para mim? Vai fazer a diferença se as pessoas souberem? Às vezes vamos ao outro extremo compartilhando tudo o que nos vem à cabeça, tanta bobagem que só contribuímos com mais um monte de palavra que não colaboram em nada para o encontro com Deus, nem conosco.

Se a resposta da pergunta acima for não, melhor deixar a foto arquivada só no seu celular mesmo. Se for uma ideia, melhor que ela não saia da sua cabeça. #ProntoFalei

Compartilhando o que importa

Nas redes sociais o que está bombando é o que está sendo curtido, compartilhado e retwitado mais. Quando curtimos ou retwitamos algo significa que estamos dando relevância e importância àquilo. Me torno um microfone para aquela pessoa ou instituição, dando peso e importância e espalhando a sua mensagem.

As grandes empresas têm estratégias gigantescas para serem curtidas e consequentemente bem vistas nas redes sociais. E de fato, quando vemos uma marca muito curtida no facebook, por exemplo, logo damos, mesmo que inconscientemente, muita credibilidade a ela, como se disséssemos para nós mesmos: não é a empresa que está dizendo que é boa, são as pessoas. Essa é a força do compartilhamento.

Digo isso porque me impressiono algumas vezes com os tipos de coisa que vão para os TTs do twitter e as coisas mais curtidas no facebook. Certos tipos de mentalidades ou brincadeiras racistas, preconceituosas, ofensivas e até que são humilhantes para as pessoas. Acredito que não convém serem curtidas por um cristão de verdade.

Convém a nós compartilharmos a verdade, aquilo que acreditamos e aquilo que queremos valorizar. O evangelho deve ser a nossa regra sempre. Quanto mais curtidas naquilo que realmente vale a pena, mais destaques daremos ao que realmente importa.

Um exemplo do Papa Francisco foi destaque no ano de 2013 como umas das contas mais retwitadas do mundo. E atualmente o perfil @Pontifex somando a divisão por línguas tem mais de 16 milhões de seguidores. Isso dá ao Papa no, ambiente digital, e fora credibilidade e o destaca quando falamos de Deus e da Igreja.

Levar ao alvo certo, a experiência de Deus

Então, quando as pessoas nos encontrarem através dos hashtags da nossa vida, precisamos saber que não é a nós que estão procurando, nem exatamente ao hashtag que escrevemos, mas a Deus.

Da mesma forma que ao buscarmos a vida dos santos, não queremos os santos em si, mas sermos amigos de Deus como eles são. Precisamos estar dispostos a levar as pessoas para onde elas realmente querem ir. Isso exige sacrifício, exige nos fazer próximos. Levá-los à experiência de Deus como nós a tivemos.

Jesus no ensina através do encontro

Jesus nos ensina. Quando saia anunciado a sua mensagem (#palavradeDeus), curando e expulsando os demônios (#caridade) e anunciado o que o Reino de Deus, alguns sentiam-se atraídos por ele, não só pelo que Ele dizia, mas pelo que ele fazia com as pessoas, fazia o bem. Zaqueu, homem pecador e coletor de impostos, encantado com os twittes começou a seguir @JesusCristo. No meio de suas twittadas, encontrou a hashtag da #misericórdia e viu Jesus. Jesus não só se alegrou porque o tinha encontrado, mas se relacionou com ele, perdeu tempo, amou, não o condenou, mas postou a seguinte mensagem: “Desce depressa, Zaqueu, porque hoje preciso ficar em tua casa” (Lc 19, 5).

Quando começo a anunciar uma mensagem tenho que ter clareza que ela não basta. Evangelização não é só espalhar a mensagem de Jesus em todo lugar. Esse passo é muito importante, mas só o primeiro passo.Tenho que gastar tempo com a pessoa que precisa, preciso estar disposto a ajudá-la e mostrar-lhe o caminho. Quando Jesus entra na casa de Zaqueu dá a ele a possibilidade da salvação. A nossa evangelização na internet não pode ser diferente. Uma pessoa que começa a ser tocada precisa concretizar sua experiência na Igreja, tendo acesso aos sacramentos.

Então, agora já pode colocar em prática. Que tal um twitter que está lendo esse artigo, ou uma foto no instagram, ou um post no facebook? E em oração se faça essa pergunta: Quais os hastags que minha vida tem expressado para o mundo de hoje?

Fonte: Revista Shalom Maná

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